Uma discussão interessante que tem ressurgido nos últimos tempos é a ligação entre a automação de tarefas e o desemprego. À baila da crise, eis de volta um tema que as épocas de crescimento económico e de forte emprego quase fazem esquecer.
No entanto, o aumento do desemprego dá novamente ao tema direito a tempo de antena e luzes da ribalta. Taxas de desemprego de dois dígitos, trabalho precário e sem direitos, ajudados por inflação elevada dos preços dos produtos mais essenciais são chão fértil onde crescem os medos e as revoltas, e o medo da tecnologia acaba por ser um deles.
Ainda há pouco tempo um amigo me remeteu por e-mail uma “alarmante” notícia da automatização quase completa de uma linha de montagem de um grande fabricante de material informático. Obviamente, “mais desemprego, e com a crise os fabricantes procuram reduzir custos, pelo que se a moda pega, ainda vamos mais fundo”, dizia o e-mail.
De facto, o raciocínio parece simples: quanto mais máquinas se utilizam, menos pessoas são precisas. As empresas que automatizam linhas de produção podem, portanto, despedir pessoas na mesma proporção em que deixam de ser necessárias; as máquinas produzem geralmente mais e melhor, com menos enganos, menos desperdício e menos defeitos de fabrico.
No entanto, o problema, globalmente, não é assim tão simples, e o raciocínio não pode ser feito de forma tão linear. Claro que uma empresa que automatiza uma linha de montagem e dispensa um conjunto de trabalhadores pode criar uma situação dramática, isso não está em causa. Esse é um problema político-social que tem de ser acautelado. Mas isso não significa que a automação seja uma coisa má ou que seja desejável evitar. Por exemplo, a modernização da agricultura levou a uma redução de cerca de 70% dos trabalhadores na Europa no século passado. Mas os 30% que actualmente trabalham no sector são suficientes para garantir uma produção superior. Ou seja, a industrialização teve um impacto positivo ao nível da produtividade, e poupa as pessoas de tarefas pesadas, monótonas, e muitas vezes de elevado risco para a saúde. Será que isso gera desemprego? Nessas tarefas que são automatizadas certamente sim, perdem-se postos de trabalho. Mas isso só significa que a transição deve ser feita de forma planeada e socialmente consciente. É um problema político-social.
Muito poucas pessoas (para não dizer ninguém) gostam de fazer tarefas pesadas, perigosas ou rotineiras. Quase todas preferem trabalhos mais intelectuais e leves. A Europa que perdeu trabalhadores do sector primário precisou deles no sector terciário. As gerações actuais têm profissões que há décadas não existiam sequer, e no futuro certamente a tendência vai acentuar-se ainda mais: surgem profissões novas à medida que a sociedade faz uso da tecnologia para extinguir as profissões “velhas”. E isso não é necessariamente mau. Ninguém terá certamente muito gosto em revolver terra com enxada ou arado, mas operar um tractor é certamente mais atractivo.
Quem ler as opiniões mais apaixonadas dos visionários dos anos 50-60 do século XX certamente fica encantado com a visão optimista de muitos. Achavam eles que em 20-30 anos (nos anos 80 do século passado, portanto há 30 anos atrás) as sociedades civilizadas seriam fundamentalmente sociedades de lazer. As máquinas fariam tudo o que fosse necessário, portanto às pessoas restava o lazer, desfrutar de uma vida livre da necessidade de produzir. Já passaram 30 anos da data prevista, e aqui estamos nós. As máquinas certamente fazem muita coisa, mas longe estará a utopia da sociedade de lazer. Isto sem qualquer desmérito das conquistas tecnológicas e sociais que garantem alguma qualidade de vida. Parte do ganho em produtividade obtido com a automação terá sido de facto empregue na redução dos horários de trabalho e na democratização do uso de equipamentos que melhoram a qualidade de vida (máquina de lavar roupa, por exemplo). Nesse sentido caminhámos para a sociedade de lazer. Mas quem dera estivessem completamente certos esses visionários optimistas!
tecnologia e desemprego
É óbvio que precisamos de tecnologia inovadora para melhorar nossas vidas, mas é imprescindível que governantes sejam sensibilizados para proteger o ser humano.Pessoas desempregadas ( e brevemente não haverá espaço para mais empregos), com cérebro, certamente vão reagir ou pela marginalidade ou pelo surgimento de levantes que tornaram a vida dos empregados um martírio.
Menor volume de horas por semana; taxação maior das grandes corporações ( principalmente bancos que estão podres de riqueza e com riqueza podre - em certos casos) para subvencionar agricultura, educação de como viver num novo ambiente de superpopulação e baixo nível de emprego.
Está aí o desafio para as próximas gerações.
Luiz Carlos
(Por: Luiz Carlos de Oliveira)
2011.10.29 - 14:23
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